terça-feira, setembro 19, 2017

INDEPENDÊNCIA vs PROCLAMAÇÃO: NASCE DOENTE


Na história do Brasil que me ensinaram, nunca foi mencionada a dor de barriga do Imperador Pedro I e seu descarrego nas margens do riacho Ypiranga. Nos dias de hoje, não temos mais segredos. Até em novela fez menção ao desarranjo intestinal do filho de D. João VI. Tal fato não desmerece o jovem Imperador. Era impulsivo, amante como poucos e excelente músico. Fez o Brasil independente. Teve uma multidão de filhos e ainda teve tempo de ser o rei Pedro IV de Portugal. Morreu com trinta e seis anos.
A Independência se deu em Sete de Setembro de 1822. Em 15 de novembro de 1889, o marechal Floriano Peixoto, monarquista e opositor dos republicanos, foi tirado da cama pelo Tente. Coronel Benjamim Constant, este sim, republicano. O marechal estava acamado e era amigo do velho Pedro II. Convencido pelos subordinados que armaram uma "fofoca" a respeito de uma mulher e um desafeto, o veterano da Guerra do Paraguai proclamou a República. Feito isso voltou para cama.
Dá para notar que o Brasil já nasce doente. Na Independência e na República. Ser republicano não é nenhum mal e tampouco ser monarquista é pecado. Aliás, uma das palavras mais usadas e mal utilizadas no Brasil de hoje e republicano. Os políticos a usam a torto e a direito, por qualquer motivo.
Entretanto, ser republicano ao ponto de trocar a data da Independência pela a data da Proclamação da República é demais!!!
“Um prefeito municipal da cidade de Itaúna cometeu esta gafe”. Não se sabe se foi de propósito, por não gostar da monarquia ou se foi um engano. No meu sentir, foi por picuinha com D. Pedro. Afinal, no decreto municipal que foi publicado, nota-se a palavra “RECAIRÁ” em alusão ao Sete de Setembro. Depreende-se que em anos anteriores a inversão já existia. Simples assim.
Trocar o jovem e impetuoso Imperador pelo velho marechal, somente em Sant'Ana do São João Acima. Por precaução, aqui vai um aviso ao jovem intendente da urbe. D. Pedro II, apesar da barba branca e a aparência de velho, é filho de D. Pedro I, não o contrário como muitos pensam!!!!

Notas:
O jornalista baiano, ex- político Sebastião Nery em sua vasta obra, escreveu um livro que fez um enorme sucesso. Se não me trai a memória, tem o título de Histórias do Folclore Político Brasileiro, volumes I e II. Na publicação ele enumera inúmeras gafes de alcaides do interior e de capitais. Prefeitos dispostos a revogar a Lei de Gravidade de Isaac Newton e a Lei da oferta e Procura. Só não conseguiram levar a cabo a tarefa, ao serem advertidos pela oposição. Disseram aos prefeitos que as ditas leis eram federais e se sobrepunham ao poder municipal.


*Urtigão (desde 1943) é pseudônimo de José Silvério Vasconcelos Miranda, que viveu em Itaúna nas décadas de 50 e 60. Causo verídico enviado especialmente para o blog Itaúna Décadas em 10/09/2017.

Obs..: O episódio de se fazer a "proclamação do 7 de setembro" foi no ano de 2017.


ITAUNENSE "QUEBRA COCO"


Evandro Coutinho, filho do dr. Lima Coutinho tinha apelido de "Pança”. Aliás na casa, praticamente todos tinham apelido e todos eram bons de bola. Exceto as moças. Creio que eram duas.
Dos dois mais velhos, pouco me lembro. Um deles era médico, casado com uma americana do Norte. Consequência da especialização feita na terra de Tio Sam. O outro era advogado. Foi secretário de Estado de Segurança Pública. Chamava-se Rômulo. Depois vinha o Marco Elísio. Trabalhava na Prefeitura. Bom de bola, tinha o apelido de Ming. Logo em seguida, o Juarez, bancário e goleiro conceituado. Apelido: Xeca. Abaixo do Juarez era o Jairo. Bom de bola. Atacante perigoso. Não tinha apelido. O caçula era o Elder. Mais ou menos de minha idade. Sofrível no futebol. Apelido: Tibinha.
Evandro foi estudar Agronomia em Viçosa. Foi lá que " engenhou" a sua invenção. Uma máquina de quebrar coco babaçu, movida a tração animal. Cheguei a ver um protótipo, fundido em ferro gusa. Funcionava, mas não logrou êxito comercial. Afinal, babaçu só no Nordeste de Brasil. Era mais barato pagar as mulheres quebradeiras de coco do que comprar a máquina do Pança. Restou-lhe o apelido que ganhou na Escola de Viçosa: "Quebra Coco".
Quanto ao futebol, os Coutinho tinham um campinho na enorme casa da rua Arthur Bernardes. Estive lá muitas vezes.


*Urtigão (desde 1943) é pseudônimo de José Silvério Vasconcelos Miranda, que viveu em Itaúna nas décadas de 50 e 60. Causo verídico enviado especialmente para o blog Itaúna Décadas em 07/09/2017.
Acervo: Shorpy


segunda-feira, setembro 04, 2017

ITAÚNA: GUARACY E O SETE SETEMBRO


Entrei no curso ginasial em 1955, na Escola Normal Oficial de Itaúna. A diretoria do tradicional educandário já estava nas mãos do dr. Guaracy de Castro Nogueira, sucedendo a Dª Nair Coutinho. Sem desdouro para a sucedida, o dr. Guaracy imprimiu ritmos novos à escola. Era um desbravador, apaixonado pelo trabalho e por Itaúna.
Construiu uma quadra polivalente para prática do basquete, vôlei e futebol de salão. Num dos lados, uma prosaica arquibancada de cimento. Deu nova vida a escola, a pratica de novos esportes e as aulas de educação física. Construiu cantina, entregue ao porteiro "Tonico" que morava com uma família num barraco no terreno do prédio.  Construiu até mictório, cuja história já contamos neste espaço. No porão do edifício, construiu um vestiário e posteriormente, uma oficina bem montada para a prática de trabalhos manuais. O homem era desabusado e gostava de progresso.
Patriota como poucos, era entusiasmado pelo Sete de Setembro. Sob o comando do Tenente Maimone, na época, professor de Educação Física, aprendíamos a marchar em passo certo. Jovens adolescentes, moças e rapazes debaixo das ordens do militar durão.
Treinávamos com os portões e no Dia da Independência aparecíamos para o público reunido na praça.
Para o gosto do diligente diretor ainda faltava algo: a fanfarra. Ainda no meu tempo de ginásio ele conseguiu concretizar o sonho. Um aluno vindo de fora, de nome Atilio D'Aurio, se não me falha a memória, sabia tocar o tarol. Em pouco tempo, outros com aptidão para os tambores foram aparecendo. O Rubens Machado (que Deus o tenha) filho do Major Rui, Roberto Moravia, Roberto "Abana Fogo", Zé Dias e outros mais, foram se incorporando. Providenciadas as caixas "claras", surdos e outros componentes da percussão eis que surge uma bela fanfarra. Toca a ensaiar para o grande dia. Para as moças, as quais não era permitido tocar na banda, treinar exercícios de ginástica rítmica e manuseio de bastões. Daí saíram as futuras balizas.
Foi um acontecimento na cidade o Sete de Setembro daquele ano. Todos os alunos, moças e rapazes, impecavelmente uniformizados. Sapatos pretos engraxados, meias branca e uniforme engomado, a marchar em passo correto na praça principal. Juntamente com o Tiro de Guerra 80, o Ginásio Sant'Ana, a Escola de Contabilidade do "Seu Carmelo ". Dava gosto ver o orgulho dos estudantes e das famílias a "lamber as crias".
Das balizas, lembro-me da Marise, filha da d. Artumira, da Cleusinha (irmã do Tarefa), da Maria José Bustamante, da Zuzinha. As outras que me perdoem a falha.
Itaúna inteira na praça da matriz. William Leão de farda de tenente da reserva, José Diniz, idem. No alto falante da igreja de Sant'Ana, o padre Manoel Cauper narrava o desfile. Ainda ecoam nos meus ouvidos as suas palavras: " rufam os tambores, abrem-se as fanfarras para passagem dos galhardetes da pátria........."
Éramos felizes e não sabíamos.

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*Urtigão (desde 1943) é pseudônimo de José Silvério Vasconcelos Miranda, que viveu em Itaúna nas décadas de 50 e 60. Causo verídico enviado especialmente para o blog Itaúna Décadas em 01/09/2017.




quinta-feira, agosto 31, 2017

CHORADEIRA NA PASSAGEM DE NÍVEL


No final dos anos cinquenta e até meados da década de sessenta, a cerveja preferida dos itaunenses era a Brahma. Vinha do Rio de Janeiro em caminhões. A Antártica, fabricada na av. Oiapoque, onde se localiza o Shopping Oi em Belo Horizonte, era muito ruim.
Tinha o nome de "Portuguesa" e fora lançada em homenagem ao presidente português Craveiro Lopes, por ocasião de sua visita ao Brasil. Além de ruim, era engarrafada em "cascos verdes”. Um pecado para os bons bebedores.
O caminhão da Brahma era aguardado com ansiedade. Mais ainda: era véspera de carnaval e o líquido dourado não podia faltar.
Apareciam cervejas estranhas. Uma feita em Juiz de Fora, de nome Weiss Export, mais parecia uma água de batata. Apareceu também a Serramalte, hoje ressuscitada. Antártica boa, só as fabricadas em São Paulo e nunca apareciam na cidade.
O suspense era grande e o caminhão nunca que chegava. Os estoques nos bares e botequins estavam baixos. Os bebedores faziam até promessa. Ficar sem beber uma semana em sacrifício, para que a cerveja não faltasse.
Numa tarde, o caminhão apontou lá pelas bandas da cooperativa nova. Um pouco mais, estava em Itaúna, descarregando no depósito dos Irmãos Guimarães.
Na passagem de nível, aconteceu o desastre. O trem da Rede apanhou o caminhão Chevrolet Brasil na traseira e o arrastou trilhos afora.
Tudo destroçado. Os engradados eram de madeira e as garrafas de vidro. Por sorte, nada aconteceu ao motorista. Da carga de cerveja, pouco ou quase nada restou. Uma tragédia.
A notícia se espalhou como rastilho de pólvora. Os amantes da bebida desceram a Silva Jardim em cortejo. Foram chorar " in loco" a catástrofe. A saída foi amargar a "Portuguesa", engarrafada na beira do ribeirão Arrudas. Ou então, beber Cuba Libre, Hi Fi ou Gin Tônica. Carnaval sem bebida, nem pensar.


*Urtigão (desde 1943) é pseudônimo de José Silvério Vasconcelos Miranda, que viveu em Itaúna nas décadas de 50 e 60. Causo verídico enviado especialmente para o blog Itaúna Décadas em 30/08/2017.
Acervo: Shorpy


terça-feira, agosto 29, 2017

EMPRESA IRMÃOS LARA

(clicar na imagem)

São 10 causos sobre a história dos Irmãos Lara, empresa de ônibus que antecedeu a Viação Itaúna na linha de Itaúna a Belo Horizonte (registro 1029 no DEER/MG):
 1. Sebastião Lara, o Tiãozinho Lara, figura conhecida em Itaúna, é filho do Sebastião de Morais Lara, um dos proprietários da Empresa Irmãos Lara, detentora da linha até 1960. Francisco (Chiquito), Paulo, Geraldo (Batista), José (Tiduca ou Duca Lara) e Teodoro de Morais Lara eram irmãos e sócios.
 2. Ainda como sócios da empresa de ônibus os irmãos Lara adquiriram dois caminhões que puxavam lenha de Mateus Leme a Belo Horizonte, um táxi e um posto de combustíveis em sociedade com os primos Lara Rezende, em Betim.
 3. Os Lara Rezende eram proprietários da linha de Betim a Belo Horizonte antes da Viação Santa Edwiges.
 4. Teodoro (mecânico) e Batista (motorista) gostavam mesmo de puxar lenha nos caminhões.
 5. Antes de 1960 os Irmãos Lara também adquiriram o direito de explorar a linha de Santanense ao Centro.
6. Após a venda da linha de Itaúna, Tiãozinho e Chiquito Lara adquiriram uma fazenda de 65 hectares na região de Angicos. As propriedades rurais pertencem à família até hoje.
7. Ao embarcar no ponto então na Praça Dr. Augusto Gonçalves, os passageiros ficavam satisfeitos ao saber que Tiãozinho seria o motorista pela viagem. Ele era elogia pela ao volante das empoeiradas jardineiras.
8. A empresa Irmãos Lara possuía uma frota de seis ou sete jardineiras, atenta a memória de Tiãozinho. Todas modelos Chevrolet.
 9. As jardineiras faziam paradas em Mateus Leme e em Francelinos (Juatuba). Um horário buscava leite numa fazenda de um primo em Juatuba.
 10. A maior dificuldade na viagem de Itaúna a BH era superar as curvas e o cascalho da estrada do Morro Grande (região do atual pedágio). A MG-050 só viria a ser asfaltada em 1967.


Referências:
Pesquisa: Bruno Freitas
Organização: Charles Aquino
Fotografia: Jornal Folha do Oeste, 1950.
Acervo:  Instituto Cultural Maria Castro Nogueira

segunda-feira, agosto 28, 2017

O BAR DO ZÉ DO PINTO


O bar do Zé Pinto ficava na rua da Ponte. Aliás, nunca soube o nome da rua da Ponte e tampouco lembro-me de nenhuma ponte no lugar. Parte da cidade a ser visitada com cuidado. Naqueles tempos de " turmas" de rua, era preciso ter cuidado por lá. Tinha a turma do Mário "Coqueiro", esperto e bom de briga, temor de toda a molecada de meu tempo.
Rua sem calçamento, característica da maioria das vias, vielas e becos daquele tempo. Calçamento só nas partes nobres de Itaúna, feito com paralelepidos ou " pé de moleque". Não importava. A cidade tinha poucos carros e no tempo de chuva não chegava a ter muita lama. Na seca, pouca poeira. Falta de carros e caminhões.
Creio que o bar do Zé Pinto era o único da região. Razoavelmente bem montado, com cerveja, cachaça e refrigerantes servidos no balcão. Nada de mesas para conforto da freguesia. Sem lugar de assentar, a demora por lá era pouca. Giro mais rápido da mercadoria.
Para nós, ainda adolescentes, o bar era uma beleza. Tinha uma bela mesa de sinuca, de marca Brunswick, bem forrada de pano verde e tacos sem "empeno". Um espetáculo.
Não nos era permitido jogar nos bares do centro da cidade. Proibido pelo Juiz de Menores e fiscalizado pelos poucos policiais do destacamento. Sinuca naqueles tempos, só de mesa grande. No Bar Santana, que ficava na praça Augusto Gonçalves, na Petisqueira na rua Silva Jardim e no Bar Rodoviário, debaixo do sobrado do Sebastião Lara, na praça, esquina da rua Cel. Francisco Manoel Franco.
Os donos não nos permitiam jogar. Zé Pinto era camarada. Jogávamos sem restrições, desde que não houvesse apostas e algazarras.
Por lá, nos aprimoramos nas bolas de efeito, contra ou a favor. Nas " puxadas" e nas " seguidas" e nos segredos das tabelas. Mesa de boa qualidade, de tampo de ardósia, bem nivelada e sem descaídas. Bolas de marfim, para sinuca e para o jogo de " duzentos".
Diversão sadia, livre dos perigos do Juizado e do delegado " Tião Secreta". Acobertados pelo Zé Pinto e sem correr risco de sermos corridos de lá pelo Mário Coqueiro e seus companheiros. Bons tempos no final dos anos cinquenta. Que Deus tenha o Zé Pinto em bom lugar. Ele merece.


*Urtigão (desde 1943) é pseudônimo de José Silvério Vasconcelos Miranda, que viveu em Itaúna nas décadas de 50 e 60. Causo verídico enviado especialmente para o blog Itaúna Décadas em 28/08/2017.
Acervo: Shorpy


sexta-feira, agosto 25, 2017

A IMPRENSA ITAUNENSE


A imprensa em Itaúna foi um fato que precedeu a todas as vitoriosas inciativas que vieram colocar o município numa respeitável posição econômica no Estado.
Antes da primeira indústria e antes da emancipação política administrativa, já existia aqui um magnífico órgão de imprensa. Era o “CENTRO DE MINAS”, cujo primeiro número saiu em 1890, sendo seu fundador Manoel Gonçalves de Sousa Moreira.
Bem analisada, verifica-se que a história desta comuna começa exatamente naquele ano. A partir dele é que o distrito de Santana de São João Acima levanta-se para se impor no cenário mineiro. Estavam nessa ocasião solidamente entrelaçados e formando um único bloco, as gerações dos Gonçalves e Nogueiras, pioneiros da civilização itaunense em todos os setores e atividades.
Dos inúmeros jornais, alguns tinham um fundo exclusivamente literário como “ASTREIA” “A VIOLETA”, “O SEMEADOR, “A ESCOLA”, VOZES DOS ESTUDANTES” e “LIBERDADE”. Os demais sempre reservaram páginas inteiras para matéria desta natureza, mas foram sobretudo noticiosos, principalmente dos assuntos locais.
Pelo humorismo suave e oportuno de que eram cheias as suas páginas, se destacaram: “O ZUM ZUM”, “O FURÃO” e “O AVANTE”.
“FOLHA AZUL” que se publicou em 1896, tinha a originalidade de ser redigida em verso e a particularidade de ter o tamanho de “VOSSA SENHORIA”, o minúsculo jornalzinho que hoje se publica em Belo Horizonte, vangloriando-se de ser o menor jornal do mundo...
Na quase totalidade os jornais itaunenses foram semanários e tiveram o formato 32.
Os jornais que tiveram maior número de anos de duração foram “CENTRO DE MINAS”, “MUNICÍPIO DE ITAÚNA, “O ITAÚNA”, “TRIBUNA DO OESTE”, “ITAUNA” e “FOLHA DO OESTE”.
Houve sempre nos jornais daqui uma tendência para a adoção de pseudônimos.
Materialmente a imprensa constituiu sempre um pesado ônus, mas nunca levou vencidos os seus idealistas. Nunca houve profissionais. Seus realizadores foram operários que sacrificaram as horas reservadas a um justo descanso, para confeccionar a matéria. Mantida sempre com sacrifício, mas nunca derrotada, vaia imprensa itaunense cumprindo o seu destino histórico na vanguarda dos grandes acontecimentos.


CRONOLOGIA DOS JORNAIS ITAUNENSE
JORNAL
DATA
DIREÇÃO
Centro de Minas
1890-1897 (1ªfase)
Manoel Gonçalves de Sousa Moreira
A Violeta
1896-1897
Aureslina de Faria e outros
Astréia
1896-1898
Joaquim Marra da Silva
Folha Azul
1896-1897
Clube Literário Progressista
O Itaúna
1902-1906
Ladislau Gonçalves
Município de Itaúna
1904-1909
Dr. Augusto de Sousa, Thomás de Andrade e Francisco de Araújo Santiago
Centro de Minas
1921-1922 (2ª fase)
Francisco Araújo Santiago, Mário Matos e Hidelbrando Clark
Tribuna do Oeste
1925-1927
Mário Matos, Dr. Antônio de Lima Coutinho, Dr. Dorinato Lima, Dr. Afonso dos Santos, Dr. Lincoln Machado e Dr. Ovídio Machado
O Itaunense
1929 (1ªfase)
A. Couto Vale
O Vicentino
1920
Irmandade de São Vicente
O Minuto
1927-1928
Maria de Cerqueira Lima e Ivolina Gonçalves
O Furão
1930-1935
Jesus Drumond, Mário Soares, João do Centro, Victor Gonçalves, Geraldo C da Cruz, Dimas F da Cruz, Fajardo Nogueira e Hermínio Gonçalves.
Itaúna
1931
Hely Nogueira Jr., Dr. Lima Coutinho, dr. Pereira Lima, Edwar Nogueira e José Santiago.
Zum Zum
1922-1926
Mário Matos, José Santiago, João Dornas e Hidelbrando Clark
O Semeador
1932-1933
Pe. Inácio Campos
A Escola
1932-1934
Órgão da escola Normal de Itaúna
Vozes dos Estudantes
1932-1933
Nair Gonçalves, Maria da Silva e Yole Araújo
Jornal de Itaúna
1932-1935
Viriato Fonseca, João Batista de Almeida e Waldemiro T. Santos
O Avante
1938-1940
Sebastião Nogueira Gomide, dr. João Gonçalves Nogueira, dr. Paulo Dias Corrêa, Hilton Gonçalves, prof. Anselmo Barreto, prof. Viriato Fonseca
A Mocidade
1944-1945
Raimundo Corrêa de Moura e Osmar Barbosa
O Itaunense
1945
Oscar Dias Corrêa
Tribuna Itaunense
1949-1950
Antônio Tarabal, Milton Penido, Célio Soares de Oliveira, Ary Vieira Porto, Lauro Antunes de Morais
Folha do Oeste
1944
Sebastião Nogueira Gomide, Amadeu Porto, Antônio Dornas de Lima, Yara Tupinambás, José de Cerqueira Lima, dr. Lincoln Nogueira Machado e José Valeriano Rodrigues
Liberdade
1949-1951
Edson D’Amato, Órgão do Colégio Sant’Ana e Escola Técnica de Comércio Santana.


REFERÊNCIA:
Texto: Raymundo Corrêa de Moura
Pesquisa: Charles Aquino
Revista Acaiaca: org. Celson Brant. Belo Horizonte, ano 1954, p.169,170, 171 e 172.
Acervo Documental: Arquivo Público Mineira. Disponível em: http://www.siaapm.cultura.mg.gov.br/modules/jornaisdocs/photo.php?lid=130602




quarta-feira, agosto 23, 2017

domingo, agosto 20, 2017

ONOFRE: CIGARRO, GARRAFA E COMPRIMIDO


Nunca soube o seu nome de família. Todos que o conheciam tratavam-no pelo prenome e o apelido Onofre"Bacalhau”. Alcunha óbvia, era magro, quase transparente. Em chuva de pingos grossos era capaz de caminhar entre eles sem se molhar. Tinha outra característica ímpar. Tinha o estopim muito curto. Aliás, nem tinha: explodia por qualquer motivo.
Proprietário de um barzinho numa rua que começava numa pracinha em frente a antiga venda do Serafim (rua Silva Jardim), descia e depois subia, atravessando o Córrego da Praia. O botequim era ao lado da casa do Tiaca, uma ótima figura, casado com Luzia Narcisa. Raça boa de gente do Calambau.
Vou narrar três histórias curtas do Onofre, duas presenciadas por mim. A terceira, marcou época na cidade.

PRIMEIRA HISTÓRIA: CIGARRO PICADO
Estávamos no boteco tomando cachaça e cerveja. O Bacalhau, além de dono, também participava. A roda estava animada e Onofre não queria ser aborrecido por fregueses. Foi aí que entrou um cliente e indagou: "Onofre, tem cigarro picado?
Resposta do Bacalhau: " só maço fechado. Se quiser, tem Continental, Beverly e Lincoln". O freguês insistiu: será que não dá pra abrir um maço e me vender três cigarros?  Já nervoso, Onofre respondeu: " não dá não e não insista"!!!
Teimoso o comprador insistiu. " Só três Beverly, não quero comprar muito. Estou tentando largar o vício".
De imediato, Bacalhau levantou-se da mesa, abriu um maço, apanhou três cigarros, pegou uma faca bem grande e picou os três, bem miúdos no balcão. Ato contínuo, apanhou a " maçaroca" e colocou tudo no bolso da camisa do insistente e disse raivoso: " toma o cigarro picado. E nem precisa pagar"!!!

SEGUNDA HISTÓRIA: TRÊS GARRAFAS
A segunda história, também passada no botequim, aconteceu com o caminhão de cerveja. Naqueles tempos, não existiam cervejas em lata e tampouco as embalagens descartáveis. Para comprar a bebida, o dono do bar tinha de entregar engradados e garrafas vazias, para repor o vasilhame cheio.
Onofre pediu quatro engradados. O entregador contou o vasilhame e deu falta de três garrafas. Argumentou que em tal hipótese, só podia entregar três engradados. O comerciante argumentou que era freguês conhecido e reporia as garrafas faltantes na próxima compra. O entregador não cedeu.
Na terceira tentativa infrutífera, Bacalhau pegou o vendedor de cerveja pelos ombros e o assentou em uma cadeira, dizendo em seguida:  " já que não pode ser assim e eu não posso ficar sem a bebida, fica assentado aí e espere. Em seguida me chamou para compartilhar a cerveja. Vamos beber três garrafas.
 Quando terminarmos, o engradado estará completo. Assim foi dito e assim foi feito. Bebemos calmamente, apreciando cada gole.

TERCEIRA HISTÓRIA: COMPRIMIDO RUA ABAIXO
A terceira história aconteceu na Farmácia Nogueira. Onofre chegou no balcão e pediu uma aspirina. Estava com uma dor de cabeça terrível. O caixeiro, novo no estabelecimento, pegou o comprimido, deu o preço e indagou solicito: " o senhor quer que eu embrulhe? Resposta imediata do Bacalhau: " não precisa. Eu vou rodando o comprimido rua abaixo" !!!

Aí vão três historinhas. Duas são verídicos. Eu presenciei. A terceira, faz parte do folclore da cidade.
*Urtigão (desde 1943) é pseudônimo de José Silvério Vasconcelos Miranda, que viveu em Itaúna nas décadas de 50 e 60. Causo verídico enviado especialmente para o blog Itaúna Décadas em 20/08/2017.
Acervo: Shorpy


JOÃO "COISA BOA": CARROS DE BOI EM ITAÚNA



Morava na rua Direita, hoje Av. Getúlio Vargas, pegado a venda do Josias, pouco abaixo do fim da rua Boavista. Seu sobrenome eu nunca soube. Tais adereços não faziam falta no interior. Às vezes, até complicava.
Tinha uma profissão que exigia competência e o apuro em vários ofícios. Era ferreiro, carapina e carpinteiro. Sabia lavrar uma madeira com maestria. Um pau roliço, com pouco tempo ficava quadrado. No machado, com golpes certeiros e rápidos. Dava gosto vê-lo trabalhar. Sua ocupação principal: fabricava carros de boi, galeotas para cabritos e carretões. Consertava carros avariados, trocava paus de coice", consertava rodas e trocava eixos e cocões. Aliás, nos cocões, residia o segredo dos carros de boi. Bem acertados, fazia o carro cantar com boniteza. Coisa de preceito que exigia prática e competência.
Não gostava dos carroções de rodas raiadas eixos de ferro. Fazia, consertava e trocava rodas. Nos carroções faltava a poesia do carro clássico, de roda maciça, ferrada a cravos feitos na forja e calçamento com aro de ferro, também cravado com peças forjadas.
Trabalhava com machado, engenho de serra, serras manuais enxó, formões, arco de pua, trados e ferro quente.
A roda do carro era uma obra de engenharia. Várias peças de madeira eram aparelhadas no enxó encaixadas umas nas outras, formando um círculo.  Depois dos encaixes e fixação de uma peça a outra, vinha o principal. O arco de ferro, malhado na forja era devidamente dilatado no fogo, até ficar vermelho em brasa.
Hora de colocar o arco na roda. Era a peça que dava fixação final. Encaixada a marretadas, era depois resfriada. O arco encolhia e prensava as peças. Por fim, vinha a fixação dos cravos em toda extensão do arco.
Era um ofício em extinção. O carro de bois transportava tudo e não carecia de estrada. Entrava nas roças, puxava milho, cana, areia, tijolo pedra e tudo mais que fosse necessário. Era o jipe caipira.
João "Coisa Boa" fazia jus ao nome. Boa praça de plantão, sempre alegre e prestativo. Oficina aberta, de frente para a rua, sem portões ou porteiras. Carros de boi estacionados na rua direita. Ajudante, só tinha um. O próprio filho que dele herdou a fidalguia e a profissão.
Uma excelente figura que marcou época em Itaúna. Para finalizar: tive a honra de conviver com ele e privar de sua amizade. Melhor não podia ter sido.


*Urtigão (desde 1943) é pseudônimo de José Silvério Vasconcelos Miranda, que viveu em Itaúna nas décadas de 50 e 60. Causo verídico enviado especialmente para o blog Itaúna Décadas em 20/08/2017.
Acervo: https://cdn.serounaosei.com/wp-content/uploads/20170803114332/carro-de-boi.jpg