quarta-feira, novembro 28, 2012

CATÁSTROFE NA PEDREIRA DE ITAÚNA



Terça-feira do ano de 1933 do dia 7 de fevereiro, o velho relógio da Matriz realejava  2 horas da tarde. Ao sopé da colina do rosário, alguns trabalhadores suavam e tressuavam sob a soalheira do estival , na extração de pedras para a nova Matriz, quando lhes interrompeu a labuta súbita uma explosão.
A notícia alarmou logo a cidade. Fomos entrevistar na Santa Casa uns dos feridos. Na portaria, recebeu-nos amavelmente o dr. José  Drumond, que nos conduziu até a enfermaria dos homens, onde, entre outros leitos ocupados por enfermos, nos mostrou um , cheio de ataduras. É este, disse-nos o dr. Drumond. E fiquem à vontade.
Antônio Martins, o nosso entrevistado, assim nos narrou a catástrofe:
- O sr. sabe, diz ele. Quem é pobre e tem família que criar, filhinhos ainda pequenos, há de sujeitar a serviços perigosos, como trabalhar em pedreiras. Faltava material para os alicerces da nova Matriz. Depois de bloquear a rocha, eu e mais dois companheiros – Zeno Pereira e Alfredo Morais – preparávamos a dinamite para ser colocada na mina. De repente, não sei por efeito do calor , a bomba explodiu em minas mãos.  Não sei como, dei um salto enorme. Caí a alguma distância, sentindo-me gravemente ferido e banhado em sangue.  Zeno e Alfredo desapareceram para mim. Os outros companheiros, após um momento de hesitação, acudiram nos gritando socorro. Fui levado à Farmácia Brasil, onde o dr. Hely Nogueira me medicamentou ligeiramente.
Às 3 horas da tarde , eu entrava carregado na Santa Casa. Aqui estou até hoje, sentindo-me bem melhor, graças a Deus.
- E os seus dois companheiros. É grave o estado deles?
-Não senhor. Estiveram aqui. Zeno Pereira sofreu ligeiro ferimento. O outro Alfredo, dizem que não ficou ferido.
Antonio Martins , o nosso entrevistado ficou com ambas as mãos feridas. Delas , a esquerda muito estragada, da qual três dedos foram amputados. A explosão alcançou-lhe também o ventre.
Antonio , como os seus companheiros de serviços, é homem trabalhador. Tem as faces encovadas e tristes. O corpo, amorenado de sol, mostra algumas cicatrizes dos acidentes de que tem sido vítima , no seu penoso mourejar diurno.
Sobre o casario branco de Itaúna, alvejar  a expressão ascética da Nova Matriz, é preciso que nosso pósteros se lembrem de que aqueles alicerces, aquelas paredes, foram argamassa  das também com o suor e o sangue desses heróis anônimos do trabalho ...


Fonte: Jornal de Itaúna, Ano I, 12 de fevereiro de 1933, nº 29.
Pesquisa: Charles Aquino
Acervo: Instituto Cultural Maria de Castro Nogueira - ICMC

terça-feira, novembro 27, 2012

Dr. Coutinho / Biografia


Dr. ANTÔNIO AUGUSTO DE LIMA COUTINHO

"Humanista, grande médico, homem honrado e caridoso"

Dr. COUTINHO, tratado na família como "NICO", nasceu em Ouro Preto no dia 12 de Abril de 1898, filho de Pedro Artur de Souza Coutinho e Felicíssima Ricardina Coutinho. Seus avós paternos, Cel. João Batista de Souza Coutinho e dona Francisca de Assis de Azeredo de Sousa Coutinho eram originários de Barão de Cocais. Seu avô materno Antônio Augusto Pereira Lima, nasceu na Fazenda do Marzagão, em Itabira do Campo (Itabirito), também terra natal de sua avó,  dona Anna Josephina França. No ano de 1907, Pedro Artur (Doca), que era funcionário público, transferiu-se com a família para Belo Horizonte, onde o menino Antônio Augusto (nome em homenagem ao avô materno) prosseguiu seus estudos no curso primário com a professora particular Ana Cintra, renomada educadora mineira, sua amiga, enquanto ela viveu, pela troca de correspondência mantida ao longo de muitos anos.  Sempre aplicado e compenetrado, criado em ambiente de alta religiosidade, foi jovem e adulto temente a Deus. No curso secundário, estudou no Colégio D. Viçoso. Com a mudança do Colégio Azevedo para a capital, do velho mestre, seu amigo Caetano de Azeredo Coutinho, terminou neste seus estudos, os quais lhe permitiram aspirar uma carreira de nível superior e concretizar seus sonhos de juventude. Estudioso, desde cedo aplicou-se no conhecimento do francês, que lhe era familiar. Não saía das bibliotecas onde os melhores livros didáticos estavam escritos nessa língua. Submeteu-se ao exame de admissão na Faculdade de Medicina de Belo Horizonte, em 1916, onde ingressou, vindo a ser, nos primeiros anos, preparador da Cadeira de Anatomia. No terceiro ano, trabalhou como interno no Serviço de Oftalmologia da Santa Casa de Misericórdia. Ao término do quarto ano, transferiu-se para a Faculdade da Praia Vermelha, no Rio de Janeiro, como interno no Serviço de Ginecologia, oportunidade em que escreveu um sério trabalho, denominado "Prenhez Ectópica (Tubária). Formou-se em 1922. Logo foi convidado pelo seu antigo chefe na Faculdade, professor Augusto Brandão, para clinicar na cidade de Campinas (SP), mas recusou o convite, porque esteve em Belo Horizonte, em visita aos seus pais e recebeu de seu tio Agripino Augusto Pereira Lima um convite para trabalhar em Itaúna, onde chegou no dia 18 de Janeiro de 1923.  A Casa de Caridade Manoel Gonçalves de Souza Moreira, inaugurada em 19 de Março de 1921, dez dias depois, perdeu seu provedor, Dr. Augusto Gonçalves, vítima de um derrame cerebral, vindo a falecer 20 de Maio de 1924.  Dr. COUTINHO ficou morando na casa de seu tio, farmacêutico Agripino Lima. Este o levou a conhecer o renomado médico Dr. Dorinato de Oliveira Lima, que o convidou para ser seu auxiliar, como cirurgião. Optando pela ginecologia, Dorinato lhe disse não ser inclinado para tal especialidade, pediu-lhe então que examinasse pacientes na enfermaria de mulheres. Paradoxal, Dorinato obteve em Paris seu diploma de pós-graduação justamente em ginecologia e obstetrícia. Dr. COUTINHO, com os recursos disponíveis - dedo, vista e ouvido - examinou algumas e, por um capricho do destino, constatou prenhez tubária em uma delas. Dorinato espantou-se porque tratava-se de um diagnóstico difícil.  Dr. COUTINHO, assumindo o caso, utilizou pela primeira vez em Minas Gerais, a Raquianestesia, injetando no canal medular uma ampola de Percaine, que trouxera do Rio, obtendo êxito completo no tratamento da paciente. A partir de então, Dr. COUTINHO ganhou a confiança de Dorinato que lhe entregou todos os casos de ginecologia do Hospital. Dorinato, seduzido pela política se transferiu para Belo Horizonte e, como é do conhecimento geral, Dr. COUTINHO, além de clínico geral, assumiu a chefia do setor cirúrgico da Santa Casa. Fez da Medicina um sacerdócio, dando combate sem quartel à doença, sua inimiga de todas as horas. Perseguia-a onde estivesse, tanto na fazenda como na cidade. Ia ao encalço dela pelas estradas da roça, montado em cavalo ou burro. E as cirurgias sucediam-se, uma atrás da outra, quando para a Santa Casa afluíam doentes de Divinópolis, Cajuru, Pará de Minas, Cláudio, Mateus Leme, Itaguara, Itatiaiuçu, Bonfim e muitos outros lugares. Em 1931, o jovem João Guimarães Rosa, formado em Medicina, foi residir em Conquista (Itaguara) e tornou-se frequentador da Santa Casa de Itaúna e da residência do Dr. COUTINHO. Tornaram-se grandes amigos. Dr. COUTINHO fez o parto de sua filha Vilma. Publicou em 1932 o livro "A Messe de um Decênio", em que relatou passagens dos 10 anos iniciais de sua atividade profissional, leitura que se recomenda a todos que desejarem conhecer o homem e médico que foi. Casou-se, em 15 de Setembro de 1924, com NAIR CHAVES, de rara beleza, "Miss Itaúna", de tradicionais famílias, descendente dos fundadores do município, distinguida na época com uma serenata de "Catulo da Paixão Cearense", em visita à cidade. O casal teve dez filhos, sendo que uma menina, primogênita, AUXILIADORA, morreu criança, aos quatro anos. Os outros são: HELÊNIO ENÉAS, falecido, médico, ex-membro da Academia Brasileira de Medicina; RÔMULO AUGUSTO, falecido, foi Secretário de Segurança do Estado de Minas Gerais; JUAREZ CARLOS, falecido, farmacêutico prático; EVANDRO ALBERTO, agrônomo; MARCO ELÍSIO, professor universitário; JAIRO CÉLIO, ex-gerente da extinta Caixa Econômica Estadual, MARIA ÂNGELA, casada com Achilles Ferreira, aposentado, ex-gerente do extinto Banco da Lavoura e do extinto Banco Real; ÂNGELA MARIA, formada na Universidade de Itaúna e HELDER MAGNUS, falecido, era alto funcionário da CEMIG. Todos se casaram.
Foi professor de francês e psicologia educacional na Escola Normal Oficial de Itaúna, onde sua esposa foi excelente Diretora. No período em que a Escola foi desoficializada, por sete anos, ele e Dª NAIR, como vários outros dedicados professores, lecionaram suas matérias sem remuneração alguma.
Sua primeira participação na vida pública de Itaúna foi na vitoriosa Revolução de 1930, dela um dos vigorosos propagandistas e defensores, ao lado de outros idealistas, como Artur Vilaça, Dr. Hely Nogueira e José Augusto dos Santos (Juca do Bá). Lutaram na Aliança Liberal, liderada por Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Paraíba, contra o governo central da República Velha e outros 17 Estados da Federação. Foi nomeado e participou do primeiro Conselho Consultivo, em substituição à extinta Câmara Municipal. Líder integralista, ao lado do Monsenhor Hilton Gonçalves de Souza, acreditou nos ideais de Plínio Salgado. Foi Prefeito no período de 14 de Dezembro de 1947 a 31 de Janeiro de 1951, o primeiro após a reconstitucionalização do país com a queda de Getúlio Vargas. Trabalhou, incessantemente, em favor do desenvolvimento harmônico e global do município. No cargo, deu atenção especial aos problemas vinculados à área de saneamento básico. O abastecimento de água, a extensão da rede de esgotos, o combate às moléstias endêmicas, como a malária, mereceram investimentos prioritários em seu mandato. Trouxe a Itaúna o famoso professor CARVALHO LOPES, que entrevistei para a Folha do Oeste, e nos deu água de primeira qualidade, por alguns anos, com os poços subterrâneos. Deu atenção especial à educação, eis que foi, em vida, autêntico educador. Dedicou-se também à tarefa de melhorar as condições de vida, na área rural, destacando-se seu empenho na construção de estradas vicinais. Ocorreu em seu mandato, logo no início, uma das maiores enchentes do rio São João, que passou à história como a "enchente do Dr. Coutinho". O município entrou em estado de calamidade pública. A tragédia deu frutos: elaborou-se o melhor Plano Diretor já feito para a cidade, lamentavelmente não executado pelo seu sucessor, por falta de recursos, e projetou-se a construção da Barragem do Benfica, resultados de sua atuação junto aos Governos estadual de Milton Campos, onde seu compadre Pedro Aleixo era Secretário do Interior, e federal de Gaspar Dutra, de onde trouxe técnicos para estudar e viabilizar a solução dos problemas, como o Dr. Camilo Menezes, Diretor Geral do Departamento Nacional de Obras e Saneamento. Nas negociações, envolveu a Companhia Industrial Itaunense, que se responsabilizou pelo levantamento topográfico da bacia, e, afinal, em sociedade com a Companhia Tecidos Santanense construíram, de 1954 a 1958, a importante e vital obra para Itaúna, a Barragem do Benfica.
Juntamente com o prefeito Lincoln Nogueira Machado, Artur Vilaça e outros, o Dr. COUTINHO tudo fez para trazer para Itaúna uma indústria de grande porte, a Companhia Nacional de Ferro Puro - CNFP, que seria instalada onde é hoje o Bairro Padre Eustáquio. Uma enorme empresa, organizada em São Paulo, com o capital de 16 mil contos de réis. Lançou-se a pedra fundamental da iniciativa com as bênçãos do virtuoso Padre Eustáquio Van Lieshout. A ideia não vingou, mas ficou, para sempre, conosco o nome do santo sacerdote que ganhou, merecidamente, o título, dado pela nossa Câmara Municipal, de "Cidadão Honorário". Seu nome enobrece  o Distrito Industrial da Fazendinha.
Nasceu pra servir, foi um dos fundadores do Rotary de Itaúna e seu Presidente. Foi bom para Itaúna, para sua família, e, especialmente para a sua legião de clientes, alunos e amigos. Grande orador, altíssimo nível cultural, jamais saiu de sua terra de adoção. Esposo e pai, construiu edificante lar. Romântico, idealista, sempre digno e ético, jamais foi um Sancho Pança e muitas vezes foi um D. Quixote, deixou marcas profundas na história do município e um grande número de descendentes, herdeiros dos exemplos e das nobres qualidades maternas e paternas.
Faleceu aos 84 anos, aos 10 dias do mês de Junho de 1982, às 7:30 horas de uma manhã ensolarada, no dia de Corpus Christi, data santa tão vinculada ao grande morto, autêntico cristão.
Continua vivo na memória dos legítimos Itaunenses.


Texto: Guaracy de Castro Nogueira
Acervo: Professor Marco Elísio 
Local : Instituto Cultural Maria de Castro Nogueira - ICMC
Charles Aquino, graduando em História pela Universidade do Estado de Minas Gerais / FUNEDI Campus da Fundação Educacional De Divinópolis.
Juarez Nogueira Franco

terça-feira, novembro 20, 2012

Pe. Luiz Turkenburg


 Pe. Luiz Turkenburg

Presente de DEUS para Itaúna !

    Theodorus Maria Turkenburg, este é o verdadeiro nome do Padre Luiz. Theo (Deus) Dorus (presente) = presente de Deus. Expressa bem o que a comunidade itaunense sentia por ele: foi um verdadeiro presente para Itaúna. Holandês, nascido em Hillegon no dia 06 de Maio de 1926, filho de Nicolaas Gerardus Turkenburg e Alberdina Kroom Van Diest, ordenou-se sacerdote pela Congregação do Espírito Santo, em 20 de Julho de 1952. No ano seguinte veio para Itaúna. Inicialmente professor de música e canto no Colégio Santana. Regente de banda de música, pelas quais era apaixonado, ensaiava corais, compunha peças musicais e executava vários instrumentos, exímio pianista e organista, vibrava com os dobrados marciais. Na Holanda, obteve diploma de nível superior em um Conservatório Musical. Tão competente nessa área, que a pedido do Diretor, para suprir uma necessidade de ter um professor titular na Escola Normal, naturalizou-se brasileiro a fim de ser nomeado funcionário público e responder pela cadeira de Música e Canto Orfeônico. Graças a ele a Prefeitura de Itaúna doou um piano para o educandário. Grande sensibilidade, modelar ministro de Deus, semeou muito amor e colheu inúmeros admiradores e amigos entre alunos, professores e pessoas da comunidade. Em 1º de Janeiro de 1960, assumiu a Paróquia de Nossa Senhora de Fátima, no Bairro Padre Eustáquio. Ali fez desabrochar sua personalidade, mostrou todo o seu caráter e a bondade que sempre teve no coração. Revelou-se, ainda, ser um homem empreendedor, preocupado com as condições sociais de seus paroquianos, principalmente, pobres, doentes e crianças. Para estas dedicou esforços na construção de várias creches, escolas, como as da Vila Tavares, Padre Eustáquio e Várzea da Olaria. Desde que assumiu a Paróquia do Pe. Eustáquio, não parou de trabalhar. Na construção da Igreja Matriz do Bairro, ajudou a fazer massa para os pedreiros, carregou tijolos e latas de concreto, "bateu" laje, incansavelmente. Foram inúmeras obras. Para conseguir tantas melhorias em suas comunidades, Pe. Luiz teve que trabalhar demais. Não media esforços. Atuava como servente de pedreiro, pintor e, desta maneira, dava exemplo para a comunidade que o seguia. Envolvia todos num mutirão. Viam-se crianças, adultos e idosos colaborando. Era uma verdadeira festa a construção de uma nova Igreja, de uma nova Escola. Impressionante, ele sempre à frente de tudo Além das obras religiosas e educacionais, não se descuidava das caritativas. No Bairro Pe. Eustáquio fundou um refeitório que fornece alimentação gratuita para as crianças carentes. Nos fins de semana dá alimentação para toda a família dessas crianças. No local também funciona um gabinete dentário, mantido pela Igreja. Era responsável por aproximadamente quinze comunidades, dentre elas Várzea da Olaria, Irmãos Auler, Vila Tavares, Carneiros, Itatiaiuçu, Pinheiros, Santo Antônio da Barragem, Vieiros e Arrudas. Achava tempo para coordenar todas as obras, assistir religiosamente suas comunidades, celebrar missas, casamentos e batismos, visitar doentes e pobres, apoiar e promover reuniões de cursilhistas, de jovens, de casais, de todos os inúmeros movimentos de sua Igreja. Parecia biônico, nunca demonstrava cansaço ou irritação. Quando alguma coisa não o agradava, fazia silêncio. Depois procurava explicar o seu desagrado, com justificadas razões. Para conseguir fazer tantas coisas em tão pouco tempo, rodava pela cidade com uma velha "Lambreta", fizesse sol ou chuva. Ganhou um Fusca, da Holanda, o que veio facilitar sua maratona. Vicente Ventura, um dos grandes amigos do Pe. Luiz, diz  que muitas vezes ele ficou atolado nas estradas ruins por onde passava, e "voltava enlameado, mas feliz". Desde há alguns anos, vinha lutando contra uma dolorosa doença no maxilar, um terrível câncer que lhe corroía o físico, mas não abatia seu vigor intelectual e espiritual. Chegou a sair do Brasil, indo para a Holanda, fazer o tratamento e, segundo alguns, "viajou pra morrer em seu país". Os médicos deram-lhe três meses de vida. Quando ficou doente, recebeu a moléstia com tranquilidade, resignando-se ao árduo caminho que iria percorrer. Porém, a resignação não significou entrega. Pe. Luiz com esperanças redobradas em Deus, conseguiu suplantar os piores momentos de sua jornada. Surpreendentemente voltou ao Brasil com a doença sob controle. Para definir sua luta, e porque não dizer, seu triunfo sobre a doença, é importante relembrar uma afirmação do médico que o atendia em Belo Horizonte, citada por Dona Zulmira Antunes: "na sua cura entrou um pouco de medicina: o restante é algo que não se explica, algo divino, onde a ciência não entra". Na década de 90, continuou entre nós, trabalhando, como se nada tivesse acontecido, muitas vezes contrariando as recomendações médicas. A sua força de vontade, a crença em Deus, que o premiou com uma graça sublime, a de servir seus paroquianos, o mantinha vivo e atuante. Vê-lo alimentar-se através de uma sonda, como auxílio de uma dedicada paroquiana, enfermeira Maria das Graças, era um bálsamo para quantos, desesperados, não aceitam os desígnios da Providência. Debilitado pela doença, Pe. Luiz lia diariamente, celebrava (fazia a consagração), dava aulas de música, fazia ensaios do Coral. De vez em quando, "assustando" a todos que cuidavam dele, pegava o carro da Paróquia e punha-se a dirigir, principalmente para visitar doentes. Ele era muito amigo do Dr. José Campos, seu colega de magistério na Escola Normal, marido de Dª Alba Regina, esposa desse ilustre médico e professor. Dª Alba, em decorrência de diabetes, foi ficando cega. Padre Luiz escreveu-lhe, em 24 de Abril de 1993, uma carta consoladora, da qual extraio alguns trechos: "é uma cruz pesada que Deus reservou para a senhora e toda a família, sem dúvida! Mas com seus méritos, costumeira alegria e poder de comunicação, conseguirá aliviar o sofrimento. Seu problema, suponho igual ao meu, surgiu de repente, mudando profundamente nossas vidas. Temos agora muito tempo para refletir e descobrir que há outras pessoas sofrendo mais, nos dão grande exemplo e não perdem a vontade de viver, continuam participando e convivendo com a família e a comunidade. Rezo para a senhora, celebro missa na sua intenção e estou certo de que o bom Deus atenderá nossos pedidos, aumentando nossa alegria de viver dia após dia". Grande e Santo Padre Luiz. Em 1989, no 1º Encontro de Bandas de Itaúna, Pe. Luiz deu, mais uma vez, exemplo de força de vontade, de sua crença na vida, sua fé inabalável nos desígnios divinos, e regeu o "Bandão" (união de todas as Bandas participantes do evento), na Praça da Matriz, emocionando a todos. Compôs um Credo novo para a Paróquia. Em Outubro de 1991, teve suas músicas escolhidas para serem executadas no Congresso Eucarístico Internacional, na cidade de Natal. Na sua humildade, mandou as músicas sob pseudônimo, não quis se identificar, apenas colaborar para o maior brilhantismo do evento. Padre Luis Turkenburg completou 40 anos de sacerdócio em 20 de Julho de 1992, na Paróquia de Nossa Senhora de Fátima, que lhe tributou as maiores homenagens pela dedicação com que dirigiu os destinos da Igreja no Bairro Padre Eustáquio. Pela Resolução nº 06/80, a Câmara Municipal de Itaúna concedeu-lhe o título de Cidadão Honorário, entregue solenidade ocorrida no dia 20 de Novembro de 1980. Faleceu em 23 de Junho d e 1994, deixando consternada toda a comunidade católica itaunense. Enterrado no cemitério local, teve seus restos mortais transferidos para a Igreja Matriz de sua paróquia. THEO-DORUS, nosso presente de Deus, foi para a Casa do Pai, aureolado de santidade. 

Texto: Guaracy de Castro Nogueira
Local Pesquisa : Instituto Cultural Maria de Castro Nogueira - ICMC 
Digitalização: Juarez Nogueira Franco
Realização:Charles Aquino, graduando em História pela Universidade do Estado de Minas Gerais / FUNEDI - Campus da Fundação Educacional De Divinópolis.

sábado, novembro 17, 2012

Lauro Matos

Lauro de Faria Matos
"O Lauro do Jubito"



LAURO, também conhecido como "Lauro do Jubito", nasceu em Itaúna, no dia 17 de Fevereiro de 1917. Era filho de Serjobes Augusto de Faria (o Sr. Jubito) e de Aurelina Matos de Faria. LAURO casou-se em 18 de Dezembro de 1947 com Dª NÍDIA BRAZ DE FARIA MATOS, com quem teve doze filhos. Emanuel, casado com Ilsa; Maria do Carmo, casada com Jorge; Regina, casada com Francisco; José Lúcio, casado com Mônica; Ângelo, casado com Andréia; Rosa Miriam, casada com Marcos; Fábio, casado com Eliana; Lauro Júnior, casado com Adalgisa; Teresa Cristina; Gláucia, casada com Armando e Rogério, casado com Gisele. A família BRAZ DE MATOS, como ficou conhecida na cidade, pela integridade dos filhos que ela criou, profissionais que são, pela participação ativa na comunidade, pelas festas que realizam, pela animação e pela união entre todos. LAURO foi por quase toda sua vida o Escrivão de Paz e Oficial do Registro Civil de Itaúna, função que exerceu sempre com muito zelo, critério e escrúpulo. Zelou com cuidado e carinho por todo o arquivo, livros e documentos do Cartório. Ele escrevia pessoalmente à mão todos os registros de nascimentos, casamentos, óbitos e outros. Os documentos que eram feitos por outros, ele assinava, mas não sem antes conferir detalhadamente. Conversava com todos os que iam ao seu Cartório e, em muitos dos casos, sabia de memória os nomes dos parentes das pessoas (pais, avós, tios e até bisavós), e, muitas vezes, citava o número do livro que pessoa estava registrada - costumava lembrar até do nome das testemunhas que assinaram o registro. LAURO era católico fervoroso, foi Congregado Mariano, participante da Ação Católica, era estudioso dos Livros Sagrados e temente a Deus. Frequentava assiduamente a Igreja e participava ativamente das missas dominicais. Poeta, seresteiro, festeiro e historiador, costumava ser chamado por seus amigos de "O Homem dos Sete Instrumentos", devido ao dom de executar com arte e maestria vários instrumentos musicais, em especial seu bandolim, instrumento de sua predileção, no qual executava as mais belas valsas, boleros, serestas e outras. Sua música já encantou diversas noites de Itaúna e região, em serenatas, em festas e em seu programa "A Hora da Recordação", que ia ao ar às sextas-feiras pela Rádio Clube de Itaúna. Teve diversos de seus poemas publicados em livros, revistas e jornais. Mas o mais importante era a dedicação à família. Entregou sua vida à esposa Dª NÍDIA, aos filhos e aos netos. Tratava a todos com carinho, respeito e amizade. Da mesma forma, seus filhos o tinham como o "grande amigo e companheiro", além de o "Grande Pai".  Era uma pessoa querida, respeitada e admirada. Tratava a todos, sem distinção, como amigos. Ouvia com paciência aos que o procuravam. Foi conselheiro de muitas pessoas. Era brincalhão e alegre. Gostava de inventar estórias confusas, com as quais se divertia, como a "do líquido da cabeça  das formigas", a do "Laxique, que em vez de cair para baixo, caiu para cima", a do "pé de manga", a do "Dr. Lascotine e Dr. Bolostroque", a do "Ô Mário, levanta menino", e muitas outras. Era ligado à natureza. Plantava hortas e jardins, sem se preocupar muito com o tipo de flor que nasceria. Importava isto sim, com que elas crescessem e florissem. Cuidava da horta pessoalmente, onde passava horas, no fim da tarde, tratando das plantas e até conversando com elas. Costumava andar com sementes de flores nos bolsos e, em lugares inesperados, jogava-as ali na esperança de que florissem. LAURO do Jubito foi um dos grandes homens que Itaúna já teve e, sem dúvidas, faz parte de sua história. Sua partida repentina, aos 77 anos de idade, no dia 10 de Dezembro de 1994, marcou profundamente a vida de todos: esposa, filhos, netos, parentes, amigos, enfim, dos itaunenses. Mas todos sabiam que o LAURO era um homem de fé. Fé em Deus e na vida eterna. Com a vida comunitária, familiar e religiosa que levou, no exemplo de vida que foi e deixou para todos, fica a certeza de que ele agora está junto a Deus, feliz e em paz, no lugar reservado aos justos e puros de coração. Conforme ele mesmo dizia, "quem faz aniversário e quem morre é o corpo. A Alma não, esta é eterna. Não faz aniversário nem morrerá" (frase gravada em vídeo, dita por ele no seu último aniversário, dia 17/02/1994). Em resumo, este é o itaunense por excelência.
Este é o Lauro de Faria Matos ! Este é o Lauro  do Jubito!
                  


Texto: Guaracy de Castro Nogueira
Local Pesquisa : Instituto Cultural Maria de Castro Nogueira - ICMC
Digitalização: Juarez Nogueira Franco
Postagem: Charles Aquino
Fotografias: Angelo Matos / Charles Aquino

sexta-feira, novembro 16, 2012

Bandeira Itaúna (Parte 3/3)



Lei Municipal nº 4.123  11 de outubro de 2006 sancionada
Altera a redação do art 2º da lei Municipal  nº 330, de 11 de Outubro de 1956
 "Artigo 2º - Essas cores serão reunidas numa bandeira confeccionada nos moldes da técnica dispostas num retângulo, de cor branca, com duas faixas na diagonal, de cima para baixo, partindo do mastro nas cores verde e vermelho escuro, sendo vermelho escuro a faixa de baixo".


Arquivo: Charles / Juarez