segunda-feira, junho 05, 2017

ITAÚNA: O SEXO NOSSO DE CADA DIA


Prof. Luiz MASCARENHAS*
         
Assistimos em nosso país a uma grande e ruidosa efervescência de assuntos ligados ao sexo.
         Sexo é assunto ruidoso mesmo, um tanto quanto barulhento. Dizem que o mineiro trabalha em silêncio; creio não ser este o caso...
         Como costumo asseverar, não sou o dono da “verdade” e nem pretendo aqui pontificar nada sobre tão delicado tema; apenas coloco minhas toscas divagações para o deleite dos meus caríssimos leitores.
         Com relação ao tema “Ideologia de Gênero” posiciono-me firmemente contrário a possível aprovação do malfadado projeto. Não adentrarei em questões ideológicas ou filosóficas, porém apenas afirmo a crença biológica de que se nasce homem ou mulher. Se o ser que nasceu é dotado de um pênis e produz testosterona (XY), logo é um homem ou macho. Se, apresenta uma vagina e produz progesterona e estrogênio (XX), trata-se de uma mulher, uma fêmea. Tópico a se considerar também é a inadmissível intromissão do Estado no tolhimento do poder familiar (antigo pátrio poder).
         Já a SEXUALIDADE humana é um outro assunto; muito diferente da questão de gênero. Ou seja, se a pessoa irá se relacionar afetiva e sexualmente com os de seu mesmo gênero ou do oposto (e disto decorrem as distinções: homo= igual ou hétero= diferente) isso é outra realidade. Cada ser humano; uma vez amadurecido em suas ideias e/ou dotado de sua inteira capacidade intelectual sabe de si, sabe reconhecer-se em suas relações afetivas e sexuais. Não se trata de uma questão de “opção” e sim da própria essência do ser., porém, nascesse homem ou mulher; biologicamente falando.
         Cada indivíduo faz de sua vida aquilo que achar melhor e ninguém tem nada com isso; desde que respeitados os limites para com o seu semelhante; bem como a salutar convivência na sociedade. E claro - óbvio ululante-  que devemos ser coerentes a nós mesmo; às nossas crenças, às nossas   idiossincrasias, ao nosso projeto de vida.
         Mas, neste final de semana próximo passado, assistimos outro assunto emergir das mídias e infestar as redes sociais, particularmente o facebook, provocando um surtar de cores, apupos, devaneios e iras.... o CASAMENTO GAY, aprovado nas terras do Tio Sam.
         Particularmente não entendi o porquê de tanta euforia diante de um fato ocorrido no exterior; visto que aqui em nosso país, o casamento gay já é uma realidade desde 2011; com algumas diferenciações legais.
         Até aqui, na nossa bucólica e pacata Sant’Ana do Rio São João Acima, tivemos esta modalidade de enlace acontecendo no Cartório do Lauro do Jubito, sob a lavra da Rosa Miriam Braz de Mattos e Souza Leão (nome digno de uma duquesa do Império...).
         O reconhecimento do casamento entre pessoas do mesmo sexo no Brasil como entidade familiar, por analogia à união estável, foi declarado possível pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em 5 de maio de 2011. Desta forma, no Brasil, são reconhecidos às uniões estáveis homo afetivas todos os direitos conferidos às uniões estáveis entre um homem e uma mulher.
         Desde então, as uniões do mesmo sexo utilizam-se das disposições de diversos princípios constitucionais. A coabitação brasileira (uniões não-registradas) é uma entidade real reconhecida juridicamente, que concede aos parceiros direitos e deveres semelhantes ao casamento, como o direito à adoção, assim como todos os benefícios e regras do casamento, como pensões, herança fiscal, etc.
         No dia 14 de maio de 2013 o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) aprovou uma resolução que obriga todos os cartórios do país a celebrar casamentos entre pessoas do mesmo sexo.
         Porém é bom lembrar que as LEIS asseguram apenas a legalidade; tornam as coisas formais perante o Estado. As situações já existiam antes das Leis...apenas se revestem do manto da Legalidade e ficam assegurados os Direitos Civis.
          Entretanto, a LEI não altera o PRECONCEITO. E preconceitos levam gerações inteiras para serem erradicados. Basta perceber a situação dos NEGROS no Brasil...e o preconceito que há para com os POBRES.
         Cidadão rico, com carrão importado e apartamento de luxo é bem recebido em qualquer lugar; com sorrisos e mesuras e no máximo será tido como “excêntrico” ou homo afetivo – dizendo-se o politicamente correto. Se é pobre; é bicha, viado, sem vergonha e sei lá mais o que....
          O caminho a ser trilhado contra o preconceito deve ser o da Paz, da Tolerância, do Respeito e do Diálogo por todos os membros do tecido social. Tudo o que está no Mundo, já existe há milênios.... Não será porque aprovou-se uma lei (e no estrangeiro) que se incentivará alguém para esta ou aquela conduta.
         Preocupa-me as distensões que tudo isto está causando; se andarmos pelo caminho sinuoso da intolerância colheremos certamente   ainda mais violência.
         Não há nada mais natural do que as mudanças sociais; elas surgem na esteira das mudanças econômicas e políticas.  A História nos mostra isto, e como disse, todos esses comportamentos já existiam há milênios e correm   velados, acobertados pela hipocrisia da sociedade humana; que ao mesmo tempo que os produz, os rejeita ou mesmo finge que não existem.
          Concluindo: a Humanidade precisa ainda evoluir e muito! Mal saímos das cavernas...
         E há por trás de tudo, grandes manipulações ideológicas que jamais saberemos ou as sentiremos agindo em nossas vidas, pois as cordas são muito sutis.
         Se faz mister   salientar também nesta temática que a SEXUALIDADE é íntima ao indivíduo. É da vida particular de cada um. Sexualidade não é pública. Não há a menor precisão de se colocar uma placa sobre a cabeça e  identificar-se  como   isso ou aquilo; a isto dá-se o nome de   PRIVACIDADE;  que é inclusive assegurada e protegida pelas Leis de nosso país.
         Não há meios, portanto, para se obrigar a ninguém declarar publicamente a sua sexualidade. Mesmo que a percepção desta seja óbvia. Ou seja, quem quiser permanecer no “armário”, permanecerá tranquilamente – de acordo com as suas conveniências; principalmente nestes dias frios...Afinal cada um sabe de si; de suas condutas e se resolve com sua consciência.
         Ninguém se apresenta dizendo: “prazer, eu sou o fulano, sou hetero...ou homo...ou bi...ou poli”. A necessidade da autoafirmação pode ser patológica inclusive.
         O Ser Humano é muito mais que a sua sexualidade.
         Nossa sexualidade não interessa a ninguém. Interessa ao outro, caso tenha de conviver com a sua pessoa, se você é um ser humano correto, honesto, íntegro, verdadeiro, sincero, competente em sua área de trabalho; se   não é dado a fofocas e nem a intrigas e nem age com falsidade ou leviandade. O resto é a sua vida particular; sua intimidade, sua privacidade.
         E ninguém se aventure a ser juiz do outro. Todos somos iguais: sujeitos a acertos e erros. “Não julguem os outros para que vocês também não sejam julgados. Pois da mesma maneira como vocês julgam os outros, também serão julgados e à medida que usarem para outros, essa será a mesma medida que Deus usará para vocês” Mt  7 1, 2.
         Resta-nos, neste tumultuado momento de nossa História, oxigenar as nossas ideias, sem abdicar de nossos valores e juntar esforços para a construção de mundo mais humano, mais justo, mais fraterno para todos.
"Après moi, le déluge"

*bacharel em Direito/Licenciado em História
pela Universidade de Itaúna

Acervo: Shorpy

0 comentários:

Postar um comentário